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segunda-feira, 16 de outubro de 2017

A escritora Carolina Maria de Jesus


Por muitas vezes apontada como detentora de uma forte personalidade, Carolina Maria de Jesus foi uma mulher que não se deixou levar pelo destino a ela imposto. Consciente do poder da escrita, nos deixou um legado consistente, ainda que tenha nascido no Brasil, ao que parece, numa época em que se tinha pouquíssimo preparo para uma adequada recepção de produções literárias de tão elevada importância.

Na condição de primeira escritora negra brasileira de sucesso, ela traz em sua história uma migração do estado de Minas Gerais a São Paulo, tendo, neste último, passado aos papéis os seus valiosos registros. Tais documentos serviram como um verdadeiro ato político de denúncia de graves problemas sociais que vêm crescendo, diga-se de passagem, no Brasil.

Seja em brigas com vizinhos, ou, ainda, em variadas hostilizações das mais diversas naturezas, Carolina era a todo tempo violentada por seus iguais e também por pessoas oriundas de outros tantos espaços. Uma frase frequentemente dita pela escritora, segundo ela própria cuidou de relatar em seus cadernos, era “vou colocar o seu nome em meu livro”, fato este que lhe trazia alguns desentendimentos e ameaças de agressões.

A cada dia, decorridas longas horas de trabalho, como resultado a escritora obtinha dinheiro para a compra de alimentos para si própria e também para as suas crianças, chamados João José, José Carlos e Vera Eunice. Na obra Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, Carolina Maria de Jesus descreveu, dentre outras tantas observações, essa sua jornada permanente e praticamente infindável em busca de atender parte das suas necessidades humanas daquelas mais básicas.


De grande fidelidade ao seu cotidiano, é interessante com a escritora se projeta como se fora da favela estivesse, quebrando o silêncio ao permitir que sua consciência crítica denunciasse os testemunhos de vidas naquela sua dura rotina. O racismo e  a miséria cotidianamente vivida por boa parte dos brasileiros, alguns relatos de importantes fatos políticos ocorridos à época, retratos da rotina de agressividade na qual ela estava imersa, entre tantos outros temas trabalhados, fazem da obra de Carolina Maria de Jesus indispensável a quem queira estudar e conhecer os fenômenos e mazelas sociais retratadas na literatura brasileira do século XX.

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