Por
muitas vezes apontada como detentora de uma forte personalidade, Carolina Maria
de Jesus foi uma mulher que não se deixou levar pelo destino a ela imposto.
Consciente do poder da escrita, nos deixou um legado consistente, ainda que
tenha nascido no Brasil, ao que parece, numa época em que se tinha pouquíssimo
preparo para uma adequada recepção de produções literárias de tão elevada
importância.
Na
condição de primeira escritora negra brasileira de sucesso, ela traz em sua
história uma migração do estado de Minas Gerais a São Paulo, tendo, neste
último, passado aos papéis os seus valiosos registros. Tais documentos serviram
como um verdadeiro ato político de denúncia de graves problemas sociais que vêm
crescendo, diga-se de passagem, no Brasil.
Seja
em brigas com vizinhos, ou, ainda, em variadas hostilizações das mais diversas
naturezas, Carolina era a todo tempo violentada por seus iguais e também por pessoas
oriundas de outros tantos espaços. Uma frase frequentemente dita pela
escritora, segundo ela própria cuidou de relatar em seus cadernos, era “vou
colocar o seu nome em meu livro”, fato este que lhe trazia alguns
desentendimentos e ameaças de agressões.
A
cada dia, decorridas longas horas de trabalho, como resultado a escritora
obtinha dinheiro para a compra de alimentos para si própria e também para as
suas crianças, chamados João José, José Carlos e Vera Eunice. Na obra Quarto de
Despejo: Diário de uma Favelada, Carolina Maria de Jesus descreveu, dentre outras
tantas observações, essa sua jornada permanente e praticamente infindável em
busca de atender parte das suas necessidades humanas daquelas mais básicas.
De
grande fidelidade ao seu cotidiano, é interessante com a escritora se projeta
como se fora da favela estivesse, quebrando o silêncio ao permitir que sua
consciência crítica denunciasse os testemunhos de vidas naquela sua dura
rotina. O racismo e a miséria
cotidianamente vivida por boa parte dos brasileiros, alguns relatos de importantes
fatos políticos ocorridos à época, retratos da rotina de agressividade na qual
ela estava imersa, entre tantos outros temas trabalhados, fazem da obra de
Carolina Maria de Jesus indispensável a quem queira estudar e conhecer os
fenômenos e mazelas sociais retratadas na literatura brasileira do século XX.
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