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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

O livro Gestão Escolar



Cabe destacar, de início, que se trata de uma verdadeira coletânea de variados artigos afetos à área educacional, com um direcionamento, todavia, à gestão escolar. Com efeito, ele apresenta reflexões teóricas e concretas conceituações, as quais podem respaldar a atuação dos profissionais da área e de todos aqueles que tenham interesse em se enveredar nesses caminhos.
Esse importante livro traz, portanto, material elaborado por relevantes professores e pesquisadores da área, a exemplo da Andressa Vieira, Eliane Santos, Érica Batista, Maria de Fátima, José Nivaldo, Josiel Ribeiro, Karla Patrícia, Luilson Chaves, Maria da Conceição Bandeira, Maria do Socorro Bandeira, Paula Rocha e Rosa Costa, todos eles graduados, pós-graduados e com diversas experiências obtidas em diferentes situacionalidades comunicativas e educacionais em diferentes regiões do Brasil.
Dessa forma, a obra possibilita compreender que a gestão escolar se constitui em uma dimensão específica da área ora estudada e possui um enfoque de atuação na estruturação organizada dos espaços escolares, assim como no processo de orientação educacional, este último que visa à promoção da organização e da mobilização dos atores envolvidos no referido tema, buscando garantir avanços e melhorias nos processos da educação.
Assim sendo, de acordo com o livro, torna-se substancial a compreensão de que a gestão escolar democrática e participativa é condição estruturante para todos os termos da qualidade na educação. Na gestão democrática, cabe destacar, deve haver a compreensão da administração escolar como atividade meio, assim como a reunião de esforços coletivos para a implementação dos objetivos fins da educação.

Por essas razões, o gestor escolar deve ter ciência de que a qualidade escolar deve ser enxergada como um processo global, devido à interação existente entre cada um dos sujeitos e dos próprios grupos que influenciam o seu funcionamento.Diante disso, finalmente, observou-se que o livro apresentou numerosas e indispensáveis temáticas sobre o eixo educação e gestão escolar, restando claro o quanto ele pode contribuir ao aperfeiçoamento da prática daqueles que se interessem pela área em questão e sendo, portanto, uma relevante referência para estudantes, professores e pesquisadores da área de educação. 



segunda-feira, 16 de outubro de 2017

A escritora Carolina Maria de Jesus


Por muitas vezes apontada como detentora de uma forte personalidade, Carolina Maria de Jesus foi uma mulher que não se deixou levar pelo destino a ela imposto. Consciente do poder da escrita, nos deixou um legado consistente, ainda que tenha nascido no Brasil, ao que parece, numa época em que se tinha pouquíssimo preparo para uma adequada recepção de produções literárias de tão elevada importância.

Na condição de primeira escritora negra brasileira de sucesso, ela traz em sua história uma migração do estado de Minas Gerais a São Paulo, tendo, neste último, passado aos papéis os seus valiosos registros. Tais documentos serviram como um verdadeiro ato político de denúncia de graves problemas sociais que vêm crescendo, diga-se de passagem, no Brasil.

Seja em brigas com vizinhos, ou, ainda, em variadas hostilizações das mais diversas naturezas, Carolina era a todo tempo violentada por seus iguais e também por pessoas oriundas de outros tantos espaços. Uma frase frequentemente dita pela escritora, segundo ela própria cuidou de relatar em seus cadernos, era “vou colocar o seu nome em meu livro”, fato este que lhe trazia alguns desentendimentos e ameaças de agressões.

A cada dia, decorridas longas horas de trabalho, como resultado a escritora obtinha dinheiro para a compra de alimentos para si própria e também para as suas crianças, chamados João José, José Carlos e Vera Eunice. Na obra Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, Carolina Maria de Jesus descreveu, dentre outras tantas observações, essa sua jornada permanente e praticamente infindável em busca de atender parte das suas necessidades humanas daquelas mais básicas.


De grande fidelidade ao seu cotidiano, é interessante com a escritora se projeta como se fora da favela estivesse, quebrando o silêncio ao permitir que sua consciência crítica denunciasse os testemunhos de vidas naquela sua dura rotina. O racismo e  a miséria cotidianamente vivida por boa parte dos brasileiros, alguns relatos de importantes fatos políticos ocorridos à época, retratos da rotina de agressividade na qual ela estava imersa, entre tantos outros temas trabalhados, fazem da obra de Carolina Maria de Jesus indispensável a quem queira estudar e conhecer os fenômenos e mazelas sociais retratadas na literatura brasileira do século XX.